quinta-feira, 20 de março de 2014

Essa estrangeirada!

O Baptista – não é o mesmo do “cala a boca Baptista!” do programa do Jô Soares, é pior – irrompeu pelo gabinete do PM adentro e em tom grave afirmou: - Ó Senhor Doutor já viu esta notícia de 74 economistas estrangeiros, de várias nacionalidades, que assinaram o manifesto da reestruturação da dívida portuguesa daquela gentalha?
Passos fixou o olhar no assessor e retorquiu: - Já Baptista, o Meireles, como sabe, compra-me os jornais todos os dias e de Massamá à Lapa – o que significa de um desterro a um bairro de luxo, esclareça-se – dou uma vista pelos jornais e logo que li isso, mandei o jornal pelo ar – e desabafou – essa estrangeirada! A minha vontade é pedir ao Zequinha para os correr todos ao pontapé.  
Depois de uns instantes de silêncio, adiantou: - Sabe Baptista, falei ao José Gomes Ferreira da SIC e ao António Costa do ‘Diário Económico’ e pedi-lhes que se empenhem numa campanha na imprensa mundial para correr com eles do FMI, da ONU, da Universidade de Columbia ou de Brown, desta última esse Marc Blyth tem  mesmo de seguir o caminho do Sevinate e do Martins, rua! - Então, ando eu a dar a volta à Merkel para pagarmos a dívida mesmo que se acrescentem mais uns mesitos aos 20 anos calculados pelo Cavaco e essa estrangeirada, de conivência com a gentalha dos 74 subscritores nacionais, anda a intrometer-se na nossa dívida.
A estrangeirada, em aliança com os nacionais, defende o seguinte raciocínio:
Ora aqui temos a descrição da criminosa acção. Uns adversários do manifesto, perante a adesão de economistas de várias nacionalidades e de renome, trazem a velha história do estafado argumento do provincianismo, aqui denunciado por Fernando Pessoa
O sério disto tudo é que, desde os tempos de Pessoa, o mundo e as relações internacionais levaram uma volta profunda com a globalização, as novas tecnologias, a telecomunicação à dimensão global e muitos outros progressos. Fica destituída de qualquer sentido a classificação inconsciente de provincianismo ao facto de se ter conseguido a adesão de 74 estrangeiros à tese de quem defende a reestruturação da dívida. Para cúmulo é maioritariamente externa e submetida a regras da UE28 e Zona Euro que os países do Norte da Europa, Alemanha à cabeça, comandam. Decididamente esses críticos não conhecem o signficado de provincianismo, menos ainda o seu conceito mais profundo e actual.
Interprete-se pois que, na Europa, nos EUA e em diversas partes do mundo, existem posições divergentes de soluções para as dívidas soberanas. Se uns concordam com a política do governo de Passos Coelho e Paulo Portas, por que razão outros não podem estar em sintonia com quem tem a perspectiva da reestruturação sem ‘haircuts’, com alargamento de prazo de reembolso e redução de juros?
Tem-se a tentação de recorrer ao jargão: “É a Economia, estúpidos!” Não teremos meios para pagar a dívida como está programada e forçosamente não teremos crescimento. Perceberam?