quinta-feira, 27 de março de 2014

Governar com artimanhas e patranhas

Comecemos por Luís Montenegro – que apelido apropriado! O líder parlamentar ‘laranja’, no final das jornadas parlamentares no ‘cavaquistão’, asseverou que sobre remunerações de reformados, pensionistas e funcionários públicos não haveria novos cortes. Depois, na AR, repetiu o embuste.
A oposição retorquiu que, pelo menos, ao lançar tabela salarial única da função pública (fp), o governo iria aplicar cortes nos salários do sector. O deputado eleito por Aveiro, bem poderia ter-se ficado pela apanha do sargaço, em vez de participar nesta matéria orgânica estranha que é a mistura PSD+CDS de Portas e Coelho. Trata-se de substância que, em vez de adubar, destrói as nossas vidas.  
É revoltante o descaramento de intrujar os portugueses. Montenegro é um pecaminoso de maior gravidade; é impossível que, na qualidade de líder parlamentar, desconheça as intenções e objectivos do governo em termos de ‘finanças públicas’, neste caso nos domínios das reformas e salários da fp, bem como a que princípios obedecerá o Documento de Estratégia Orçamental (DEO), por Maria “Loura” Albuquerque, no qual se abre o caminho para a redução definitiva de reformas, pensões e salários, em função de mecanismos relacionados com a demografia e a economia.
Diz a ministra: “a reforma mais profunda do sistema de pensões fica adiada para depois de 2015”. Está aqui uma das explicações para o consenso de médio e longo prazo pedido ao PS.
O que haverá de esperar de um país em acelerado envelhecimento, coincidente com a redução sucessiva de postos de trabalho; vejamos o quadro comparativo dos dois agregados entre 2007 e 2012:


A população activa diminuiu –2,20% em comparação com os números de pensionistas da Segurança Social e reformados da CGA que aumentaram +8,08%, no período em causa.
O governo e seu patrono FMI jamais conseguem inverter esta tendência em clima da dura austeridade A alternativa é o crescimento da economia e a criação de emprego - as previsões do PIB do Banco de Portugal até 2016, além de discutíveis, são insuficientes para a sustentabilidade do sistema da segurança social, da economia e da própria democracia. O torniquete vai-se apertando, caso se tome em linha de conta o debacle do sistema económico a nível mundial e que atingiu mais profundamente a Europa – sobretudo o Sul, de onde as indústrias de mão-de-obra intensiva se transferiram para outras paragens.
 ‘Crescimento a toda a força!’ é a palavra de ordem e justamente, por esta razão fundamental e outras acessórias, só conseguiremos sair da complexa situação em que vivemos através da reestruturação da dívida; dívida esta que, nas condições citadas no prefácio do roteiro de Cavaco Silva, não é pagável. Todavia, os fanáticos apoiantes de Belém e São Bento escondem desde o primeiro instante esta realidade. Preferem distrair-nos com ‘o tiro ao manifesto’. São uns brincalhões.