terça-feira, 18 de março de 2014

Prometeram o paraíso, ofereceram o inferno (Parte I)

Os jornais accionaram a sirene fiscal e é impossível esquecer: a intrujice teve início em 2010 pela voz do próprio Passos Coelho e está aqui documentada. Milhares e milhares de portugueses visionaram o vídeo. É difícil que todos tenham apagado o conteúdo da memória.   
A irresponsabilidade de se afirmar: “Este programa está muito além do memorando de troika" é, só por si, denunciante da premeditação para governar sem solidariedade e sentimentos de justiça social pelo povo português – o que se poderia esperar, interrogo-me, de um cidadão que em episódios de vida já tinha dados provas de ser cruel, retardatário no ingresso na actividade profissional e oportunista em negócios da Tecnoforma (‘Programa Foral’ com Relvas)?
Acerca do companheiro da governação, Paulo Portas, é desnecessário estender a prosa. Do “Paulinho das Feiras”, do partido, CDS-PP, dos contribuintes e reformados e do retractar do pedido de demissão irrevogável, tudo identifica a figurinha que, no final das contas, é mesmo um figurão.
O acesso ao poder, esse jogo de ambições de Passos e Portas bem como dos seus acólitos, é a meta política que quiseram e conseguiram atingir.
No fim de programa duríssimo de austeridade do PAEF, agravado por medidas e políticas do ridículo Gaspar, o governo chegou a uma situação de perturbação e paralisia.
O prometido paraíso é afinal o inferno de abundantes insolvências, de elevada taxa de desemprego, da emigração massiva de jovens e menos jovens, da quebra muito acentuada do investimento, da substancial redução de rendimentos de reformados, pensionistas e trabalhadores activos dos sectores público e privado – dos 2.408.881 reformados da CGA e pensionistas da Segurança Social, cerca de 1.900.000 auferem uma reforma/pensão média de 364 euros; ou seja, uma fortuna que, para certos idiotas, é mais uma herança dos governos socialistas.    
Para relançar a economia que o ‘sistema financeiro internacional’ lesou gravemente, e por onde a austeridade extrema agravou a devassa dos tecidos produtivos em diversas áreas, o governo de Passos e Portas não tem estratégia. Tem apenas uma táctica: conservar o poder, vincular o PS à falta de estratégia e lançar mais medidas de austeridade.
Sou livre de filiação partidária. Portanto, sinto dificuldades em cair no maniqueísmo usado pela direita para absolver quem quer que seja desde a governação dos tempos de Cavaco como PM, este incluído. O bloco central (PS e PSD, coadjuvado pelo CDS-PP) fez implodir com estrondo e muita poeira as oportunidades de Portugal se desenvolver nos sectores primário, secundário e terciário. Privilegiaram-se obras de fachada e agora quem paga as múltiplas contas são, na maior parte, os cidadãos de menor capacidade financeira. O Amorim, o Belmiro e o Soares dos Santos fazem contas com o fisco holandês ou de outro país ou paraíso fiscal a quem devotam amor ‘monetário-pátrio’.