sexta-feira, 21 de março de 2014

CTT: há que remunerar a Goldman Sachs “do Arnaut” & Cia.

O governo, na alucinação neoliberal de entregar ao divino mercado patrimónios de indubitável interesse nacional e, em alguns casos, inclusivos de serviços sociais de apoio a populações isoladas, decidiu privatizar os CTT – veja-se a EDP, a TAP e outras sociedades do SEE com valor estratégico para o País, as quais Passos e Portas, em actos de antipatriotismo, deliberam alienar a estrangeiros. O Estado português fica ainda mais pobre, a economia e as contas públicas também, em função remunerações de capitais exportadas para os novos accionistas estrangeiros.
A maioria do capital dos CTT foi objecto de abstrusa venda a sociedades e fundos de investimento estrangeiros, muito embora a empresa tivesse registado um lucro em 2013 de 61 milhões, i.e., mais 70,7% do que os 35,7 milhões de resultados positivos no ano de 2012.
Os CTT já haviam encerrado várias estações, com grave prejuízo para populações idosas do interior. Não constituía qualquer problema financeiro para o Estado. Antes pelo contrário, contribuía positivamente para as contas do SEE-Sector Empresarial do Estado.
Neste cenário, e mediante um acto de tirania ao estilo “bokassiano”, a actual administração dos CTT recusa-se a aumentar os trabalhadores que, sem razão de qualquer espécie, têm os salários congelados desde 2010. Há que remunerar bem a famosa e famigerada Goldman Sachs e outros investidores, nada restando para quem verdadeiramente assegura há anos o funcionamento de uma sociedade lucrativa.
Com o arrojo de intrujão que lhe é peculiar, há dias, ladeado pelo Dr. Balsemão, sócio nº 1 do clube ‘laranja’, Passos Coelho afirmava:
Estas e outras falsas declarações foram feitas na comemoração do 40º aniversário do PSD nas Caldas da Rainha. Asseverou mesmo que o PSD é, nas suas mãos, um partido-social democrata autêntico. Autêntico? Só se for das Caldas e, portanto, de barro; sim, porque a baixela que está ao serviço é neoliberal e de fina cerâmica.
Ah e o Arnaut! Esse, sem nunca ter realizado sequer um ‘scientific paper’ de Corporate Finance ou de qualquer matéria da área financeira, passou a integrar o conselho consultivo internacional do banco norte-americano Goldman Sachs… ao lado do ex-presidente do Banco Mundial, Robert Zoelick, pois então. José Luís Arnaut é alto, tem estatuto de facilitador para arrumar tudo o que é necessário, até connosco.
Certo, certo é um facto: o que é bom para a Goldman Sachs é péssimo para qualquer país onde esse banco tenha interesses.