quinta-feira, 13 de março de 2014

Animais à solta


Trecho do livro infantil ‘Animais à solta’ de Maria João Lopo de Carvalho 

Inspirado na ideia de relocalizar animais do João e do Miguel, ocorreu-me pensamento inverso: colocar, no devido lugar, cada um dos animais; porém, racionais e, se infractores; sugiro mesmo o alojamento no “Hotel da Carregueira”, junto do Isaltino e do Vale Azevedo.
Hóspedes de “qualidade”, alguns detentores de balúrdios, dinamizariam com felicidade e euforia o ambiente do ‘Hotel da Carregueira’, no sector dedicado a gente do chamado golpe de ‘colarinho branco’ – branco uma ova! Nada de deturpações, porque, no caso, o branco é cinzento bastante pardo e de tão encardido, apenas com uns litros de lixívia, de alto teor de ácido clorídrico, corroeria a imensa sujidade.
Portugal, vítima essencialmente do bloco central e do partido de Portas, transformou-se em pais da imundice da acção política. Terra de chagas e nódoas que têm protagonistas e veículos reconhecidos. Lembre-se o BPN, dominado por alargada trupe cavaquista; o processo ‘Face Oculta’ em que estão envolvidos os socialistas Vara e Penedos, o sucateiro Godinho, os robalos e outros peixes; e já agora o conselheiro Acácio da era actual, ou seja, o “comentador” televisivo Marques Mendes, que aos Sábados, na SIC, oferece medíocres alcoviteirices próprias dos antigos pátios lisboetas.
Contra os votos contrários de toda a oposição, CDS incluído, na Madeira, a Assembleia Regional, pela mão do PSD, impediu a realização do inquérito requerido pelo PS sobre a adjudicação, sem aplicação de regras de concurso, à Eneratlântica Energias, SA, de que Mendes é ou foi gestor à época. 
O conjunto de figuras públicas em falta no cumprimento das Leis Portuguesas é muito mais vasto. Sem compromissos partidários, como convém a um banqueiro que chegou a ser considerado de elite e exemplar do sector, Jardim Gonçalves beneficiou da prescrição em 2013 da coima, no valor de um milhão de euros, aplicada pelo Banco de Portugal. Trata-se de um dos casos paradigmáticos do vergonhoso e achavascado sistema da Justiça Portuguesa.
Pois é, João e Miguel, podemos trocar os animais de sítio, mas alguns seres humanos, em especial do género dos citados, se acusados judicialmente como culpados, devem ser colocados no lugar próprio. No ‘Hotel da Carregueira’, por exemplo. São muito ferozes, de garras e maldades imperceptíveis pelas crianças.