sábado, 29 de março de 2014

O imoral e oportunista Barroso

O Zé Manuel tem tanta culpa de ser jovem da Cova Piedade, como  eu de Xabregas. Com efeito, o lugar de nascimento é secundário se consideradas às ideias políticas que cada um defende e adere. Umas são meras opções de incidência residual. Em outros casos, é o comportamento de vida, em especial na esfera política em que nos albergam, uns para o mal outros para o bem – terrível dicotomia judaico-cristã esta!
Amplamente reconhecido, ao receber nos Açores e servir o chá a Buch, Blair e Asnar, o Zé da Cova da Piedade foi premiado com a presidência da CE, mas jamais se redimirá da barbaridade, ainda perdurante, da agressão ultra desumana sobre população do Iraque. Dizimaram e prossegue, dia-a-dia, essa agressão assassina contra cidadãos iraquianos indefesos, por parte de grupos radicais que a invasão despertou – o brasileiro Sérgio Vieira de Mello da ONU foi apenas uma das milhares de vítimas.
Barroso, se tivesse um mínimo de vergonha e a consciência de quem tem sido um presidente da CE funcionalizado por quem o seleccionou e depois pela Alemanha, jamais teria  teria a leviandade – ou a maldade? – de criticar quem defenda uma alternativa para a ‘reestruturação da dívida portuguesa’.
Mesmo na semântica económica, em que Barroso é comentador ignorante, disse em entrevista a Ricardo Costa – outro sinuoso – que ninguém em Portugal deveria empregar o termo ‘reestruturação da dívida’.
É uma manobra manipuladora – esta sim ó  Marques Guedes – porque reestruturar divida, como o manifesto da 74 explícita, não implica necessariamente cortar dívida (“haircut”). Simplesmente, o que está em causa, e como é evidente no “prefácio de Cavaco”, trata-se da impossibilidade do País dar cumprimento ao pagamento em 20 anos, com as performances que Sr. Presidente de ‘finanças públicas” deixou claro: duas décadas de anos consecutivos nas seguintes condições:
O Barroso, cuja carreira política é uma dádiva de Cavaco – a compensação dos cinzentos – nem sequer uma referência, curta que fosse, fez referência a estas condições e à óbvia incapacidade de Portugal cumprir em função da conjugação de exigentes critérios para liquidar a dívida em 20 anos – Ricardo Costa, o incisivo mas parcial jornalista, também ajudou.
O preocupante é que palavras ou demagogia de Barroso, mesmo quando atinge dois dos seus ex-ministros devidamente preparados, Manuel Ferreira Leite e Bagão Félix, correspondem, no imaginário, exactamente a histórias que eu inventava há anos para adormecer a minha filha. A bronquiolite, adversa e permanente é duradoura, mas o melhor, diz o Dr. Barroso, é deixarmos o bebé sob agravamento patológico e logo se verá se a criança morre ou ficará prisioneira de doença crónica. Depois,  ou haverá enterro ou crematório, ou andamos uma vida inteira submetidos aos Barrosos que, esses sim, deveriam ser evaporados das nossas vidas.