quarta-feira, 19 de março de 2014

Um seguro esotérico sugerido pelo Dr. Gaspar?


Fui profissional de seguros. Os anos sucedem-se e admito ignorar se, na actualidade, as seguradoras têm em carteira algum tipo de seguro para cobrir, à posteriori, danos resultantes de governação desastrosa, cujos resultados, em Portugal, estão à vista. Estou certo de que não. As companhias de seguros cobrem riscos e não efeitos de sinistros anteriores à apólice.
A existir seria uma solução, no mínimo, abstrusa; ou seja, uma seguradora aceitaria dar cobertura de um acidente, antes da formalização do contrato, em que o meu automóvel, sob minha responsabilidade, ficaria com a frente totalmente desfeita ou, no ramo de incêndio, emitir a apólice e pagar de seguida a indemnização de um fogo que praticamente destruíra a minha habitação antes da formalização do seguro.
Todas estas observações me ocorreram a propósito da afirmação, feita em reunião de sábios economistas, por Vítor Gaspar, certamente o mais sábio de todos na descoberta do caminho para ingressar nos quadros do FMI.
Da solidariedade, nem vale a pena falar. Depois da CE e BCE, em sintonia com o FMI, ter subjugado o país sob feroz austeridade, com a activíssima conivência de Gaspar, é de facto demagógico acreditar que essa solidariedade europeia, inexistente durante 3 anos, irrompa milagrosamente e em força nesta fase, em que a dívida externa, o desemprego e o abandono do país por centenas de milhares de portugueses são factos de enorme dimensão.
No que concerne ao seguro, pergunto: a que se refere Gaspar? Sim, qual é o objecto de seguro? É a situação que a draconiana política das medidas aplicadas ao País seja reparada pelo amparo da Alemanha, Áustria, Holanda, Finlândia e sob a batuta destes por outros países da Zona Euro? – Não todos porque a alguns, Espanha, Grécia, Itália e até Bélgica e França também faltam fundos para comparticipar no pagamento do prémio de tal seguro.
Gaspar, se tivesse um pingo de pudor, deveria estar calado. Foi o principal causador - e deixou uma sucessora à altura do cometimento de atrocidades - da situação de enormes carências de milhões de portugueses; sim, milhões!
Gaspar, além de ridículo e homem destituído de sensibilidade social, é adepto activo de uma cultura esotérica do mal. Já tinha sido com a justificação das intempéries e agora sugere seguro com efeitos retroactivos na cobertura do estado desastroso em que o País se encontra. Não é um risco, é uma situação real e corrente, porque o risco foi a sua nomeação como MF.
O vídeo acima reproduzido caracteriza as incongruências do homem. Vá para Washington quanto antes, porque muitos portugueses ainda terão de sobreviver vários anos escravos.