quinta-feira, 7 de junho de 2012

‘ABC’ de Espanha – o que lá fora se escreve de Portugal

Portugal-FMI
Fonte: Presseurop
Viver sob o regime férreo da troika
Sob este título e com a ilustração da imagem acima reproduzida, o jornal ABC publicou um artigo sobre Portugal, cujo 1.º parágrafo diz:
Há 14 meses que o país vive sob a vigilância do FMI, do BCE e da Comissão Europeia, que lhe emprestaram o dinheiro para fazer face às suas dívidas. No momento em que os enviados destes financiadores verificam localmente a aplicação das reformas, a população reclama "mais tempo, mais dinheiro e melhores condições".
A peça jornalística, na íntegra, poderá ser lida aqui.
Tenho o hábito de, com frequência, investigar e ler o que a comunicação social estrangeira diz do Portugal de hoje. Sem preconceitos de privilegiar análises e opiniões de direita ou de esquerda. No caso presente, a escolha recaiu sobre o jornal espanhol ‘ABC’, consabidamente, alinhado à direita.
O texto do jornalista Pedro Rodriguez transmite com transparência as profundas dificuldades sentidas por milhões de portugueses, a quem, para além do MoU da ‘troika’, o governo de Passos Coelho impôs medidas de austeridade agravadas. Caso, por exemplo, dos subsídios de férias e de Natal retirados a funcionários públicos, reformados da f.p. e pensionistas do sector privado.


A única imprecisão que detectei diz respeito à taxa do empréstimo que Rodriguez quantifica em 4%. De facto, trata-se de um arredondamento por defeito, uma vez que o FEEF cobra efectivamente 4%, mas o FMI 5% – a taxa média situa-se, pois, à volta dos 4,3% e corresponderá a um serviço de dívida de 34,4 mil milhões de euros, para 78 mil milhões de capital emprestado (uma valiosa e generosa “ajuda externa”, comente-se sarcasticamente).
O artigo salienta que, no início do empréstimo, e já com parte do valor do mesmo considerado, a dívida soberana portuguesa era de 107% do PIB, sendo, agora, previsível que em 2013 atinja 118%, segundo o governo.
Todos estes parâmetros e resultados, a par do desemprego e da brutal recessão económica, evidenciam, de facto, as dificuldades de vida de milhões de portugueses.
Salvo o inexacto e tendencioso Cantiga Esteves, outros analistas referidos, Nicolau Santos do ‘Expresso’ e o sociólogo Jorge Sá, duvidam dos efeitos terapêuticos do programa da ‘troika’. Segundo eles, e estou de acordo, a hipótese de um resgate adicional  e as dificuldades de fugir do infernal ciclo: ‘austeridade – recessão – austeridade’ serão inevitáveis fatalidades. A não ser que a UE anestesie os poderes e paradigmas da Sra. Merkel.