domingo, 10 de junho de 2012

Zona Euro: Espanha é filha, Irlanda enteada

Primeiro, tivemos o desfile de negações e desmentidos do governo de Rajoy, da necessidade de ajuda externa. A verdade é, porém, corrente imparável. Ontem, que remédio!, Espanha pediu e obteve um resgate do ‘eurogrupo’ de 100 mil milhões euros.
Como admitíamos aqui, o FMI falara apenas de 40 mil milhões de euros. Uma vez mais, falhou. 
O ministro Guindos, em conferência de imprensa, tratou quem o ouviu como idiotas, ao deixar no ar a seguinte mensagem:
[…] esta ajuda "não constitui um resgate" mas apenas um apoio ao sector financeiro que não impõe ao Governo "qualquer tipo de condição adicional em termos orçamentais, ajustamento ou despesas públicas". "As únicas condições impostas serão para os bancos"
Trata-se obviamente de uma afirmação de arrogância de Espanha. proferida na sequência da decisão dos ministros das finanças do ’eurogrupo’, incluindo o pusilânime ministro irlandês, MIchael Noonan.  
A Irlanda não se limita, porém,  a falar pela voz de Noonan. Outras vozes se levantam contra a iniquidade de que o país foi alvo, face aos espanhóis. As notícias da Agência Financeira são esclarecedoras.


A Irlanda, lembre-se, recorreu a um resgate de 85 mil milhões de euros, justamente destinados a recapitalizar a sua depauperada banca. A ‘troika’ impôs-lhe programa de austeridade, cuja desmedida severidade, nós, portugueses, estamos em condições de avaliar . A Espanha, ufana-se Guindos, ufana-se Rajoy, ficou liberta dos ‘homens de preto’, a ‘troika’.
Temos, como Merkel quer, uma Europa a duas tonalidade. Estão a esquecer-se de que o ‘tsunami’ financeiro é avassalador e implacável. Há-de haver um momento em que os próprios autores das iniquidades serão também inundados. Iremos vê-los a naufragar nas jangadas que preferiram a sólidos diques.