domingo, 17 de junho de 2012

A anomalia cardíaca congénita–o risco de falhas no SNS

A anomalia cardíaca congénita (ACC) é diagnosticável durante a gravidez, por ecografia  de observação do feto. Há anos que assim sucede, sendo de realçar as experiências por via da telemedicina do Hospital de Santa Cruz (Dr.Rui Anjos) e Hospital Pediátrico de Coimbra (Dr. Eduardo Castela).
Vejamos o caso de Santa Cruz, em grande parte semelhante à experiência entre Coimbra e hospitais do interior - Cova da Beira, por exemplo.
A par de prestar assistência a doentes da região de Lisboa, o Hospital de Santa Cruz diagnostica remotamente por imagens - telecomunicação em tempo real - grávidas de outras regiões, incluindo os Açores. O trabalho conta com a participação de obstetras e pediatras locais.
Caso seja detectada a ACC no feto, a grávida passa a beneficiar de acompanhamento remoto e regular desde Santa Cruz. Dias antes do parto é transferida para esse Hospital, a fim do  bebé ser submetido à cirurgia após o nascimento, pelo Dr. Rui Anjos.
Antes da telemedicina, o Dr. Rui Anjos deslocava-se episodicamente aos Açores para acompanhar casos antes detectados e fazer novos diagnósticos, sendo recomendada a transferência da grávida para Carnaxide (HSC) na altura própria.




Sucediam, porém, episódios, no acto do nascimento, em que a ACC não havia sido detectada durante a gravidez. Nestes casos, e sob acrescido risco de mortalidade, mãe, bebé, um médico e uma enfermeira viajavam para o continente. Ocupavam, pelo menos, cinco lugares de avião, pagos pelo SNS.
O desprezo pela telemedicina é uma aberração habitual no MS. O bancário Macedo não foge à regra. Também é outra aberração, pelos vistos, a falta de formação de cirurgiões pediátricos. O problema, aqui denunciado,   deve ser atacado a partir de já. Sublinhe-se que o número de médicos a formar nunca será elevado, dada a incidência e prevalência da patologia em crianças. O Reino Unido também se confronta com problema idêntico, mas há quem meta mãos à obra